Analisando esse
problema da falta de água, em especial na minha querida e amada
cidade de São Paulo, algo surreal, faltar água por aqui no Ceará
nem é espanto, mas na Terra da Garoa me faz simplesmente acreditar
em fim dos tempos.
Bom, o discurso
ECONOMIZE ÁGUA, CUIDE DAS TORNEIRAS PINGANDO, NÃO DEMORE NO BANHO é
muito antigo, desde que me "entendo por gente" escuto,
tanto fora como dentro de casa. Hoje, mais ainda, valorizo os
ensinamentos dos meus PAIS!
Tinha pessoas
próximas a nós que ao invés de varrerem a calçada, "empurravam"
as folhas das árvores com a mangueira, derramando água por muito
tempo. Achava estranho meus pais nunca fazerem isso. Conforme fui
crescendo, fui compreendendo!
Meu pai e seus
irmãos andavam quilômetros atrás de água, no lombo de jumento,
enchendo as "cabaças" e garantindo assim esse tão valioso
líquido para o banho e para o alimento. Imagina uma criança fazendo
isso! "Rotina difícil, a gente se lavava com pouca água, não
podia esbanjar não, pois a gente buscava de longe" meu velho
acaba de me
relatar.
Com a cruel seca de
1958, as famílias dos meus pais tiveram que sair do Ceará.
Minha família
paterna viajou por longos dias num pau de arara para Goiás. Imagina
o sofrimento de meus avós com 6 filhos, o mais velho com 10 anos e
mais nova com 7 meses. VINTE E DOIS dias de viagem.
Minha família
materna foi para o Maranhão. Por lá muitos pegaram malária,
inclusive minha mãe. A irmã caçula dela morreu disso, era pequena,
não resistiu.
INFELIZMENTE, essa
história que apenas ouvia falar estou testemunhando, vendo lugares
aqui próximos totalmente secos, lagoas, açudes, rios... Vendo
pessoas carregarem água de longe, não mais de jumento, mas em motos
ou carros. Os galhos das árvores secos, o céu mais azul do que
nunca, sem nuvens para dar esperança de chuva.
Esses dias vi uma
propaganda publicitária dizendo SEM ÁGUA SOMOS TODOS MISERÁVEIS.
De fato! A falta
dela acarreta danos não só no nosso dia a dia, mas na pecuária, na
indústria...EM TUDO! Gera desemprego, eleva o preço dos produtos...
No mais, gostaria de
acreditar que essa crise fará o povo se conscientizar. É trágico
pensar que quando a água voltar as torneiras o povo vai manter os
hábitos de desperdício.
Quero confiar que
esse caos não será em vão, e que as gerações futuras sejam
conscientes. O que puder fazer para ter filhos responsáveis nesse
sentido farei!
