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domingo, 4 de outubro de 2009

A REVOLTA DA VACINA

A REFORMA URBANA
Na intenção de fazer do Rio de Janeiro uma cópia das cidades européias, o presidente da República Rodrigues Alves autorizou o prefeito Pereira Passos a promover uma reforma urbana. Por meio dela, os casarões imperiais foram demolidos e ruas foram alargadas, a fim de facilitar a circulação de mercadorias do porto às linhas férreas.

Expulsa por essas demolições, a população mais pobre foi obrigada amontar barracos nos morros próximos ou deslocar-se para áreas distantes do centro, conhecidas como subúrbios da Estrada de Ferro Central do Brasil.

A REFORMA SANITÁRIA

Enquanto prosseguia a reforma urbana, expulsando a população pobre da região central da cidade, as autoridades decidiram promover a campanha de erradicação da varíola. Para isso, foram criados batalhões de agentes sanitários que visitavam as casas, vacinavam as pessoas e faziam vistorias. Caso constatassem risco sanitário, determinavam a demolição do imóvel, sem necessidade de indenização.

Essas medidas de higiene entravam em conflito com os proprietários dos estabelecimentos sujeitos à fiscalização e também com a população pobre, que tinha suas casas invadidas por funcionários da saúde pública.

REAÇÃO POPULAR: A REVOLTA DA VACINA

Em 1904, diante de tantas invasões domiciliares e demolições de moradias, a população que se apertava nos cortiços do cenro da cidade e nos barracos dos morros reagiu.

Essa reação, que ficou conhecida como Revolta da Vacina, consistiu em violentos choques nas ruas entre as autoridades e a população. Usando como armas ferramentas e materiais de construção, a população enfrentou, durante dez dias de combates, a polícia, a Guarda Nacional, os bombeiros, tropas do Exército e da Marinha. A revolta só foi sufocada com o auxílio de forças militares de São Paulo e Minas Gerais. A resposta a esse movimento popular foi violenta: os participantes da revolta que não tinham como comprovar emprego e residência fixos foram conduzidos ao presídio na ilha das Cobras, onde foram sistematicamente espancados. Depois disso, foram enviados à Amazônia, onde desapareceram. A nascente República estava longe da democracia.

sábado, 3 de outubro de 2009

REVOLTA DA CHIBATA

A revolta dos marinheiros
No início do século XX, grande parte do efetivo da Marinha brasileira era formada por pessoas pobres, muitas delas recrutadas entre ex-escravos e seus descendentes. Para os oficiais, a disciplina da corporação só podia ser mantida com a mesma violência física aplicada antes nas grandes fazendas escravocratas.
Os castigos corporais incluíam chibatadas, palmatórias e prisões a ferro. A situação provocava revoltas contínuas entre os marinheiros. O clima agravava-se ainda mais com as notícias que chegavam de encouraçado Potemkin, na Rússia (1905).
O início do movimento
O estopim da revolta foi a punição do marinheiro Marcelino Menezes, que recebeu 250 chibatadas, aplicadas pelo comandante do encouraçãdo Minas Gerais diante de toda a tripulação. No dia 22 de nvoembro, por decisão unânime das lideranças, eclodiu a Revolta da Chibata.

Em pouco menos de uma hora, os marujos tomaram o encouraçado Minas Gerais. Agiram sob a liderança de João Cândido Felisberto, um marinheiro filho de ex-escravos que desde os 14 anos trabalhava na corporação. Logo depois eles receberam apoio dos encouraçados São Paulo, Bahia e Deodoro.

O desfecho

A tensão na capital federal durou cerca de três dias. O governo decidiu então ceder às reivindicações e anistiar os revoltosos.
No entanto, aproveitando a desmobilização dos rebeldes, o governo voltou e ordenou a expulsão dos principais líderes da revolta. Nesse clima conturbado, estourou uma nova rebelião, agora de fuzileiros navais.
Vários marinheiros foram presos e sumariamente executados. João Cândido permaneceu na cadeia por 18 meses e depois foi encaminhado para um hospital psiquiátrico, de onde saiu em 1914. Muitos outros marinheiros foram levados para a Amazônia, obrigados a trabalhar na extração do látex ou na instalação de linhas telegráficas.
Terminava assim uma revolta que revelava as mazelas da sociedade brasileira, marcada pela escravidão, por conflitos étnicos e pela pobreza de grande parte da população.

Guerra do Contestado

Contestado foi um movimento camponês que aconteceu em Santa Catarina. No começo do século XX, a região foi ocupada por empresas que exploravam madeira e por uma companhia norte-americana que construía uma estrada de ferro. Todas elas invadiam as terrinhas dos camponeses e os expulsavam da região. A Serraria Lumber tinha sua própria guarda particular, impondo com violência a vontade da empresa na região.
Os camponeses montaram um acampamento em Taquaruçu, uma área no interior catarinense. Liderados pelo "monge" José Maria, acreditavam que em breve Cristo retornaria para auxiliá-los contra os poderosos que roubavam terras dos pequenos. Confiantes na proteção de Deus, trataram de atacar os agressores. Arrancaram trilhos e incendiaram galpões de serrarias. O presidente da República tomou conhecimento do conflito e escolheu um lado: o das empresas capitalistas. Um exército foi enviado para a região e, em 1915, o Contestado estava submetido. Até mesmo a aviação militar foi utilizada. No final, milhares de camponeses tinham sido massacrados.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CORONELISMO

O coronel era um chefe político local, cujo poder provinha das terras que controlava e da influência que exercia sobre os eleitores. A figura do coronel era típica nas áreas rurais brasileiras, onde a enorme concentração de terras gerava um quadro contraditório e explosivo: uma minoria de fazendeiros poderosos diante de uma maioria de camponeses empobrecidos e trabalhadores sem terra. O poder local dos proprietários de terra vinha desde o período colonial, mas apenas na República podemos falar de coronelismo, ou seja, da interferência dos proprietários de terras na política local através do controle do voto. Isso porque, até a República, era muito reduzido o número de eleitores, devido ao voto censitário e ao regime escravista.
Ao estabelecer o voto universal masculino e admitir o voto aberto, a Primeira República entregou aos coronéis o comando da política dos municípios. Oferecendo empregos, realizando obras públicas, distribuindo roupas e alimentos, o coronel conquistava o voto do eleitorado. Quando as "boas obras" não eram suficientes, o coronel recorria à força dos capangas. Assim funcionava o voto de cabresto, base da força dos coronéis.
A dependência do eleitorado em relação aos coronéis só se explicava pela situação de miséria em que vivia a maior parte da população rural. Semi-analfabeto, sem assistência médica, alheio às notícias do mundo, completamente abandonado pelo Estado, o trabalhador rural tinha o coronel como um benfeitor, um esteio contra os males desse mundo.
Agora é com você! Explique por que a força dos coronéis era maior nas áreas rurais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Olá Alunos!!!
Estamos estudando os fatores que ocasionaram o fim do regime monárquico no Brasil. Conhecemos os motivos que levaram o Império de D. Pedro II ao fim. Vamos relembrar?
QUESTÃO MILITAR

Durante o governo de D. Pedro II, o Exército ocupou uma posição marginal na política brasileira. Os baixos soldos, a rígida disciplina da corporação e a lentidão nas promoções desencorajavam os filhos das elites a seguir a carreira militar. Após a Guerra do Paraguai, o Exército saiu fortalecido como corporação. Vitoriosos no conflito, muitos oficiais queriam desempenhar um papel central na vida política, além do de defensor das instituições e da soberania nacional, atribuições impostas pela Constituição. Na década de 1880, houve uma série de atritos entre o governo e oficiais do Exército motivados pelo envolvimento dos militares em questões da política nacional. Os constantes enfrentamentos desse período desgastaram a relação entre o Exército e o governo e enfraqueceram a monarquia. A cada dia ficava mais evidente o projeto dos militares de assumir um novo papel na cena política do Brasil.
Benjamin Constant, Rui Barbosa e Quintino Bocaiúva convenceram Deodoro da Fonseca a marchar contra o imperador.
QUESTÃO RELIGIOSA

De acordo com a Constituição de 1824, a Igreja Católica estava subordinada ao Estado, sendo freqüente a interferência governamental nos assuntos religiosos.
Um dos principais fatores que motivaram a “questão religiosa”, iniciada no Rio de Janeiro, foi a homenagem feita pela Maçonaria ao Visconde do Rio Branco, que na época assinara a Lei do Ventre Livre.
Durante a homenagem, Almeida Martins, um padre maçom, discursou, sendo por esta razão suspenso de ordens pelo bispo do Rio de Janeiro. Começou, assim, o grave conflito que envolveu o clero; a maçonaria e o governo imperial.
No Recife, o bispo D. Vital de Oliveira era contra maçonaria. Os maçons publicaram uma lista de personalidades importantes que faziam parte da seita, entre elas alguns padres. D. Vitai suspendeu esses sacerdotes de suas ordens determinando também a eliminação dos maçons da Irmandades Religiosas.
Paralelamente, no Pará, onde era bispo S. Antônio Macedo Costa, estabeleceu-se um segundo conflito entre a Igreja e o Estado por motivos idênticos aos de Pernambuco.
Por solicitação das Irmandades atingidas, D. Pedro II anula as suspensões. Como os bispos mantiveram firme o propósito de sustentar a decisão, ao imperador não restava senão o recurso de julgá-los e condená-los. Embora fossem mais tarde anistiados, a prisão dos bispos representou uma afronta à igreja, ferindo a religiosidade popular.
QUESTÃO ABOLICIONISTA

A abolição não provocou o colapso da produção agrícola, como alardeavam muitos cafeicultores. No entanto, setores agrários mais dependentes do tralhao escravo, em particular os fazendeiros de café do Vale do Paraíba, sentiram-se traídos pelo governo, que acabou com a escravidão sem um programa de indenização dos ex-proprietários.
Os fazendeiros do oeste paulista, que já vinham empregando em suas lavouras imigrantes europeus, nunca tiveram laços fortes com a monarquia. Para eles, o fim da monarquia era a oportunidade de assumir o comando da política brasileira, tradicionalmente conduzida pelos proprietários de terras do Nordeste e do Vale do Paraíba fluminense.
Sem os proprietários de escravos tradicionais, a monarquia perdeu uma importante força de sustentação política.
GOLPE NA MONARQUIA
A crise dos militares se agravou em 1889. Reuniões conspirativas de oficiais militares com republicanos civis passaram a acontecer com frequencia. Os líderes desse movimento, o militar Benjamin Constant e os civis Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva e Lopes Trovão, habilmente encontraram uma saída para acelerar a queda do antigo regime. O plano era convencer o marechal Deodoro da Fonseca, amigo pessoal do imperador e uma figura respeitada no Exército, a chefiar o movimento pela queda do governo.
Na manhã do dia 15 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca marchou com as tropas para o Ministério da Guerra, onde se encontrava o primeiro-ministro do governo de D. Pedro, o Visconde de Ouro Preto. Sob pressão dos militares, o governo monárquico renunciou.
O dia 15 de novembro, então, resultou de uma ação quase isolada do Exército, apoiada por um pequeno grupo de republicanos civis. Para a imensa maioria da população, alheia aos debates políticos, a república foi uma grande surpresa.
ESCRAVO NA CONTRAMÃO
A Caneta entra em ação
E escreve a sua vontade
Na página daquela carta
Sem medo da confusão
O Chicote não gostou!
E cobrou do velho Paço
- E a cana do canavial?
- E o café do cafezal?
- E o gado do curral?
- E o lixo do quintal?
- E o pano no varal?
A Caneta não deu atenção
Tirou todos do pelourinho
Mas esqueceu de dar a mão
Como eles não sabiam Ser
Foram rever a contramão
A nova foi de boca em boca
Em poucas linhas do papel
Escravo agora você é livre!
Mas não viu a discriminação
E a indiferença ficou de pé!
Na casa-grande!
Na senzala!
Na praça!
Na Sé!
(Gill de Oliveira)

domingo, 24 de maio de 2009

REVOLUÇÃO FRANCESA
A Revolução Francesa, movimento que aconteceu em 1789, foi tão marcante na História Mundial que assinala uma mudança de época: foi o fim da Idade Moderna (iniciada em 1453, quando os turcos tomaram Constantinopla) e o início da Idade Contemporânea, que é esta era em que vivemos.
Profundamente influenciada pelas idéias do Iluminismo - cujos principais pensadores foram Voltaire e Rousseau - e sob o lema "LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE", a Revolução, através de seus líderes, derrubou o rei Luís XVI (condenado à morte na guilhotina anos depois) e instaurou a República, em 1792.Um símbolo do poder da monarquia, a Bastilha, prisão símbolo do Antigo Regime, foi tomado pelos revolucionários. Alguns líderes do movimento: Robespierre, Danton e Marat.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
Crise na Coroa Portuguesa

Com a morte de D. Maria I, D. João VI tornou-se soberano com plenos poderes. A aclamação foi no Rio de Janeiro e foi motivo de protestos dos portugueses que viviam em Portugual. Por quê? Ora, desde 1811, as tropas francesas haviam se retirado. Napoleão Bonaparte já tinha sido derrotado na Batalha do Waterloo o clima de guerra na Erupoa não existia mais. Portanto, não fazia mais nenhum sentido a Corte continuar no Brasil.

A Revolução do Porto

Em agosto de 1820, na cidade do Porto, os militares pronunciaram-se publicamente contra a ausência do rei e sua Corte em Portugal.

A economia de Portugal estava arruinada. Pudera! Teve que combater a França, e mais: teve sua maior fonte de renda comercial dividida. O Brasil deixou de ser um grande comprador dos produtos portugueses, pois D. João VI abriu os portos brasileiros para "nações amigas".

Assumindo o governo, revoltosos convocaram as eleições para o parlamento, que por sua vez, faria uma nova Constituição para acabar com o Absolutismo Monárquico. Enfim, os ideias de liberdade chegaram a Portugal.

Mas, quem conseguiria exercer a hegemonia política nesse vasto Império?

A idéia dos deputados portugueses era controlar o poder real por meio de uma Monarquia Constitucional. Por quê? Simples! Dessa forma, teriam o controle das áreas dominadas e das riquezas brasileiras. Por esse motivo, não poderiam proclamar a República.

Exigiram o retorno de D. João VI a Portugal.

E aqui no Brasil?

A elite colonial não tinha união. Só havia acordo em dois pontos: manter-se na condição de "Reino Unido" (muitos temiam que com a volta de D. João VI a Portugal, o Brasil voltasse a condição de colônia) e conter as revoltas populares, que comprometiam sua boa condição socioeconômica.

As divergências eram enormes!

A elite do Centro-Sul propôs uma monarquia dual, ou seja, com revezamento da sede do Império entre Lisboa e Rio de Janeiro. Os baianos, defendiam a capital ser em Salvador (antiga capital brasileira) e as províncias do Norte (Maranhão e Grão Pará) preferiam ser subordinadas a Lisboa a ter que obedecer o Rio de Janeiro.

D. João VI arrumou suas malas e voltou para sua terra natal. Deixou o governo do Brasil nas mãos de seu filho D. Pedro, o príncipe regente, dizendo-lhe na hora de partir: "Se o Brasil se separar de Portugal, antes seja para ti que para qualquer um desses aventureiros."

Dia do Fico

Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."

O processo de independência

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole..

Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

Pós Independência

Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

AS INDEPENDÊNCIAS DA AMÉRICA ESPANHOLA

A INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA ESPANHOLA
No decorrer do século XVIII, o sistema colonial implementado pelos espanhóis na América passou a sofrer importantes transformações, fruto do envolvimento metropolitano nas guerras européias e da crise da mineração.
O NOVO COLONIALISMO
O Tratado de Utrecht ( 1713) foi uma decorrência da derrota da Espanha na "Guerra de Sucessão Espanhola", sendo forçada a fazer concessões à Inglaterra, garantindo-lhes a possibilidade de intervir no comércio colonial através do asiento - fornecimento anual de escravos africanos - e do permiso - venda direta de manufaturados às colônias.
Esse tratado marca o início da influência econômica britânica sobre a região e ao mesmo tempo, o fim do monopólio espanhol sobre suas colônias na América.
Se os direitos reservados aos ingleses quebravam o pacto colonial, a Espanha ainda manteve o controle sobre a maior parte do comércio colonial, assim como preservou o controle político, porém foi obrigada a modificar de maneira significativa sua relação com as colônias, promovendo um processo de abertura.
As principais mudanças adotadas pela Espanha foram:
A abolição do sistema de frotas, e abolição do sistema de porto único, tanto na metrópole, como nas colônias, pretendendo dinamizar o comércio, favorecendo a burguesia metropolitana e indiretamente o próprio Estado. Na América foi liberado o comércio intercolonial (desde que não concorresse com a Espanha) e os criollos passaram a ter o direito de comercializar diretamente com a metrópole.
AS TRANSFORMAÇÕES NAS COLÔNIAS
As mudanças efetuadas pela Espanha em sua política colonial possibilitaram o aumento do lucro da elite criolla na América, no entanto, o desenvolvimento econômico ainda estava muito limitado por várias restrições ao comércio, pela proibição de instalação de manufaturas e pelos interesses da burguesia espanhola, que dominava as atividades dos principais portos coloniais. Os criollos enfrentavam ainda grande obstáculo à ascensão social, na medida em que as leis garantiam privilégios aos nascidos na Espanha. Os cargos políticos e administrativos , as patentes mais altas do exército e os principais cargos eclesiásticos eram vetados à elite colonial.
Soma-se à situação sócio econômica, a influência das idéias iluministas, difundidas na Europa no decorrer do século XVIII e que tiveram reflexos na América, particularmente sobre a elite colonial, que adaptou-as a seus interesses de classe, ou seja, a defesa da liberdade frente ao domínio espanhol e a preservação das estruturas produtivas que lhes garantiriam a riqueza.
O MOVIMENTO DE INDEPENDÊNCIA
O elemento que destravou o processo de ruptura colonial foi a invasão das tropas de Napoleão Bonaparte sobre a Espanha; no entanto é importante considerar o conjunto de alterações ocorridas tanto nas colônias como na metrópole, percebendo a crise do Antigo regime e do próprio sistema colonial, como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.
A resistência à ocupação francesa iniciou-se tanto na Espanha como nas colônias; netas a elite criolla iniciaram a formação de Juntas Governativas, que em várias cidades passaram a defender a idéia de ruptura definitiva com a metrópole, como vimos, para essa elite a liberdade representava a independência e foi essa visão liberal iluminista que predominou.
Assim como o movimento de independência das colônias espanholas é tradicionalmente visto a partir dos interesses da elite, costuma-se compara-lo com o movimento que ocorreu no Brasil, destacando-se:
-a grande participação popular, porém sob liderança dos criollos;
-o caráter militar, envolvendo anos de conflito com a Espanha;
-a fragmentação territorial, processo caracterizado pela transformação de 1 colônia em vários países livres;
-adoção do regime republicano - exceção feita ao México.
Chegada da Família Real ao Brasil Quando Napoleão Bonaparte decretou o Bloqueio Continental em 1806, o governo português ficou num impasse: Se ficasse do lado da Inglaterra, as tropas francesas invadiriam Portugal, se ficasse do lado da França, os ingleses bombardeariam Lisboa! Era muito arriscado romper as relações comerciais com os ingleses, pois antigos contratos mantinham essa dependência portuguesa. Devido a problemas mentais, a rainha D. Maria I foi afastada do trono e quem governava Portugal era o príncipe regente D. João VI. Diante de tanta pressão dos ingleses e franceses, podemos dizer que o príncipe ficou entre a "cruz e a espada". Que solução tomar então?
Fugir para o Brasil!
Isso mesmo! Se refugiar na mais rica colônia! Mas... Como atravessar o Oceano Atlântico com segurança? Os navios ingleses cuidaram da segurança da Família Real, mas teve algo em troca: A liberação do comércio colonial e o direito de usar os portos brasileiros.
Tudo pronto! No dia 29 de novembro de 1807 a corte embarcou. Juntamente com a Família Real, 15 mil pessoas viajaram (entre elas, nobres e criados). Trouxeram com eles jóias, obras de arte, prataria e quase todo o dinheiro que circulava em Portugal.
O embarque foi apressado e desorganizado, feito sob chuva e diante da população apavorada ao ver seus governantes abandonando o país aos invasores. D. João foi para o cais disfarçado, temendo a reação dos populares. Em meio à correria, dizem que a rainha D. Maria I, sem entender o que acontecia, gritou: "Não corram tanto! Pensarão que estamos fugindo!"
Depois de quase dois meses de viagem, chegaram à Bahia em 22 de janeiro de 1808. Desembarcaram em Salvador. Dois meses depois, estabeleceram-se no Rio de Janeiro. Agora pensem... Qual foi a primeira decisão de D. João VI?
A primeira medida importante foi o decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. Agora, todos os países aliados de Portugal poderiam comercializar seus produtos no Brasil. Mas... Só tinha um país "amigo". Se você pensou na Inglaterra, acertou! Era o fim do Pacto Colonial e do monopólio comercial.
Foram três os tratados: de Comércio e Navegação; dos Paquetes; de Aliança e Amizade. Nesse último, a cláusula permitia aos ingleses extrairem madeiras brasileiras para a construção de navios.
A Inglaterra começava a firmar sua influência sobre o Brasil.
Agora é sua vez...
Leia, pense e responda:
(UCMG) Em 1808, com a chegada ao Brasil do príncipe regente de Portugal, são tomadas importantes medidas. Aquela que garante o fim do estado colonial é a:
(A) Elevação do Brasil à categoria de Reino
(B) abertura dos portos brasileiros às nações amigas
(C) assinatura dos Tratados de 1810 com a Inglaterra
(D) liberação das indústrias do Brasil
(E) instalação dos órgãos judiciários portugueses no País.

terça-feira, 5 de maio de 2009

CONSPIRAÇÕES E REVOLTAS NA AMÉRICA PORTUGUESA

No final do século XVIII, o Brasil passou por graves problemas econômicos. A cobrança de impostos pelos portugueses era absurda e o povo estava muito insatisfeito. No contexto mundial, as Treze Colônias Inglesas passaram pelo processo de Independência e na França, as idéias revolucionárias estavam a todo vapor. Não tardou para esse ideal de LIBERDADE chegar no Brasil. Muitos filhos de aristocratas estudavam na Europa e entraram em contato direto com todas essas idéias iluministas. Ao voltarem para o Brasil, se defrontaram com o clima de insatisfação dos colonos. Foi assim que deram início as primeiras revoltas anticoloniais, ou seja, nasce e se fortalece o desejo de liberdade!
As primeiras manifestações contra a Metrópole portuguesa foram: INCONFIDÊNCIA MINEIRA e CONJURAÇÃO BAIANA (REVOLTA DOS ALFAIATES).
INCONFIDÊNCIA MINEIRA
O século XVIII ficou conhecido como o "Século do Ouro", pois o Brasil era o maior produtor mundial de ouro e diamante. Isso, claro, cresceu os olhos dos colonizadores portugueses, que aumentava cada vez mais a cobrança de impostos. O principal era o quinto, ou seja, os garimpeiros teriam que dar 20% do ouro descoberto para Portugal.

Como não podemos cultivar ouro, as minas acabaram se esgotando... Mas... Portugal não estava nem aí, queria receber suas 100 arrobas de ouro anuais... Isso mesmo! Uma tonelada e meia de ouro... 1.500 quilos!!! "Não temos mais ouro!" dizia os colonos. Portugal resolveu "negociar" essa dívida, permintindo que no ano seguinte a colônia pagasse a diferença. Essa "diferença" foi se acumulando ano após ano e ganhou o nome de derrama. Os colonos tremiam ao pensar na possibilidade do governo português, de uma hora para outra querer o pagamento dessa dívida.

Em 1788, Luís Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena, assumiu o governo de Minas Gerais e recebeu a ordem: "Receba dos colonos a derrama".
Membros da elite mineira se reuniram e chegaram a conclusão de que teriam que assassinar o governador de Minas e assumir o poder. Em outras palavras: assassinando o governante e assumindo o poder, tornariam Minas Gerais uma república independente! Todos se reuniram e parecia que as idéias se concretizariam. Marcaram a data da rebelião para fevereiro, mês que pensaram que seria a cobrança da derrama. Porém, a data foi adiada para dia 14 de março de 1789. Eis que surge um "dedo duro". JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS denunciou os revoltosos, na esperança de ter suas dívidas perdoadas. Denunciada a conspiração, os possíveis envolvidos foram presos para serem interrogados. Um dos principais conspiradores foi JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, mais conhecido como TIRADENTES. Um modesto alferes que exercia também a função de dentista. O "principal" envolvido não fazia parte da elite colonial mineradora. Tiradentes resolveu assumir sozinho a iniciativa da rebelião, apresentando-se como ÚNICO líder do movimento, sendo assim um mero "bode espiatório" da aristocracia, pois retirou toda a responsabilidade dos poderosos das conspirações. "Morte aos inimigos do rei!" Em 21 de abril de 1792 Tiradentes é executado no Rio de Janeiro. O carrasco colocou a corda no pescoço de Tiradentes. Após morrer enforcado, foi esquartejado e cada pedaço de seu corpo foi coberto de sal grosso para que não apodrecesse. Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, tendo sido rapidamente roubada e nunca mais localizada; os demais restos mortais foram distribuídos ao longo do caminho, nos lugares onde fizera seus discursos revolucionários. Arrasaram a casa em que morava, jogando-se sal ao terreno para que nada lá germinasse.

CONJURAÇÃO BAIANA

Passados quase dez anos da Inconfidência Mineira, surge na Bahia um novo movimento anticolonial. Entretanto, teve uma diferença crucial: foi promovida por pobres, brancos, mestiços e negros (soldados, artesãos, comerciantes e um grande número de alfaiates). Quando perceberam o alcance popular dessa manifestação, se engajaram na luta ricos e letrados.

Enquanto os colonos mineiros se rebelavam devido a cobrança exorbitante de impostos, os revoltosos baianos deram a conjuração um aspecto social mais marcante. Falavam da abolição da escravatura e queriam juntos combater a miséria, a injustiça e a desigualdade social. Perceberam a diferença?

Inspirados pelos ideiais iluministas e pela Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), distribuiam panfletos nas portas das igrejas, colavam cartazes nos muros e em lugares públicos. Um deles dizia:

"Está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos. O tempo em que todos seremos iguais."

Qual foi o resultado?

Adivinhem?

Forte repressão do governo português!!!Os líderes foram condenados, alguns à prisão, outros à morte, principalmente aqueles cuja a origem social era mais humilde. Mais de trinta participantes foram punidos.

No dia 8 de novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados à pena capital, enforcados e esquartejados, na seguinte ordem: >>soldado Lucas Dantas do Amorim Torres; >>aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos; >>soldado Luís Gonzaga das Virgens >>mestre alfaiate João de Deus Nascimento.

Luís Pires também foi condenado, entretanto fugiu e jamais foi localizado. Vários outros envolvidos foram condenados a morarem na África, em áreas longe do domínio português, o que equivalia a morte também. Mas antes de serem mandados para terras distantes, levaram 500 chicotadas em praça pública e assistiram a execução dos seus companheiros.

AGORA É SUA VEZ!!!

Compare a situação do Brasil no Período Colonial com a situação atual que vivemos. Considere os seguintes aspectos: forma de governo, organização da sociedade, distribuição socioeconômica. Deixe aqui um comentário com suas conclusões.

TRABALHO PARCIAL DE HISTÓRIA 2º ANO CLIQUE AQUI